A interação entre a espécie humana e o meio ambiente tem vindo a subsistir desde tempos imemoriais, embora a primeira, muito provavelmente, não se tivesse apercebido desta simbiose.
Os vastos recursos existentes no planeta foram sendo revelados ao ser humano, ao longo dos tempos, e este, dotado da sua inteligência, aprendeu a retirar dos mesmos as utilizações que melhor serviam os seus interesses, a todos os níveis.
Direcionar certos recursos para o uso como fontes de energia passou a ser uma das preocupações humanas, porquanto desde cedo o homem teve a consciência do quão facilitador tal seria para a sua vivência, quer individual, quer social.
O domínio da arte do fogo, que aparentemente lhe surgiu por mero acaso nos primórdios da humanidade, mostrou-se um desafio que não deixou de superar e, no meio de tentativas várias, umas com sucesso e outras não, o ser humano descobriu novas formas de energia capazes de lhe proporcionar sensações de conforto, comodidade e bem-estar ou de o auxiliar na execução das suas tarefas ou profissões, como foi o caso da energia eólica ou da energia hídrica, com as inerentes vantagens de se mostrarem renováveis e as não menos exasperantes desvantagens de não poderem ser utilizadas na ausência, que por vezes se verificava, de vento ou água disponíveis.
Para estes períodos de inércia o homem teve de se superar a si próprio, buscando soluções para os seus problemas em outros tipos de energia que existiam no planeta, recorrendo ao carvão e ao uso do petróleo e seus derivados, para, numa primeira fase a que se apelidou de Revolução Industrial, os colocar ao serviço das indústrias de massa e das próprias populações, enquanto fontes de energia que tinham a vantagem de não se gastar rapidamente e a desvantagem, que talvez não tivesse sido inicialmente sentida, de poluir o meio ambiente e, desse modo, afetar o clima do planeta.
A forte expansão demográfica, que ainda hoje subsiste, fruto da melhoria das condições de vida nas denominadas sociedades modernas e civilizadas, para além de, em muito, ter contribuído para o flagelo do aumento desenfreado da poluição atmosférica, revelou igualmente ao mundo que se estaria perante fontes de energia finitas e esgotáveis, face ao crescimento da sua utilização.
Esta consciência passou a ter efeitos práticos na própria resposta que o planeta deu a esta agressão atmosférica e climática, que começou a ser visível no degelo polar, que aumenta drasticamente o nível das águas, bem como nos efeitos solares nocivos, quer para o ambiente quer para o ser humano, fruto da destruição da protetora camada de ozono, originando situações que, nos dias de hoje, se mostram muito para além de meras preocupações de grupos ambientalistas, antes apelam a uma consciência coletiva e de preocupação política, para evitar situações drásticas e trágicas.
Tempestades, sismos, furacões e outros fenómenos naturais passaram a ocorrer de forma cada vez mais frequente e inesperada, conduzindo a milhares de perdas de vidas humanas e a uma destruição à qual ninguém pode ficar insensível, tal a dimensão que assume.
Estes eventos extremos revelam-se danosos para a economia global e colocaram em causa as próprias cadeias de abastecimento, conduzindo para o empobrecimento inegável da qualidade de vida das civilizações, perigo esse que o próprio poder político não tem forma de ocultar, uma vez que deixou de ser uma preocupação distante para uma situação de gravidade extrema que urge combater de forma estruturada.
Com o avolumar destes fenómenos extremos e de consequências tão destruidoras, o paradigma no setor energético sofreu uma mudança, pois, finalmente, passou a haver uma consciência, que conduziu a uma alteração na própria mentalidade da classe política mundial, da necessidade de ser criada uma estratégia efetiva e eficaz que, de forma real e coerente, permitisse realizar um corte com a dependência das energias fósseis e a sua substituição por energias renováveis.
Este processo, conhecido nos dias de hoje como transição energética, conduziu à necessidade de se criarem metas anuais para a descarbonização, através da adaptação e substituição por novas fontes de energia, mais amigáveis para o ambiente, mais verdes, e à constatação de se mostrar imperiosa a adoção de políticas de incentivos nacionais, a nível fiscal, ambiental ou outro, que permitissem adotar condutas mais responsáveis e, concomitantemente, impor medidas que se revelassem penalizadoras para todos os incumpridores, segundo o princípio do poluidor-pagador.
Assim, desde os tempos em que o fogo era obtido através de um mero raspar de pedras ou da utilização de uma vara que era esfregada em material combustível até ele aparecer, a realidade atual apela à aposta de energias renováveis, com destaque para a elétrica, a solar ou a eólica, bem como ao investimento no desenvolvimento de alterativas energéticas menos poluidoras, como a utilização do hidrogénio ou o recurso aos biocombustíveis.
Parece, pois, inevitável que este trajeto de transição energética, que foi iniciado a passo e sobre a dependência, sempre forte, das energias fósseis, terá o seu reforço no futuro, permitindo evitar danos ambientais que poderão ser irreversíveis e, através da proteção do clima e do ambiente, conduzir a uma normal e desejável evolução da dependência energética mundial.
Renovam-se, assim, as fontes de energia tradicionais e o estado de saúde de todo um planeta, condição sine qua non para a manutenção da vida e para a continuação da espécie humana, num caminho que irá desembocar, como se espera e deseja, num futuro mais verde e com níveis cada vez mais reduzidos de poluição, em prol de todos os seres vivos.