A ENSE participou, nos dias 05 e 06 de maio, em Nicósia, Chipre, nos trabalhos da CF SEDSS – Consultation Forum for Sustainable Energy in the Defence and Security Sector, no âmbito do grupo dedicado à proteção de infraestruturas críticas de energia, levando ao debate europeu a experiência portuguesa em matéria de coordenação operacional, segurança do abastecimento e preparação intersetorial para crises energéticas.
A intervenção da ENSE foi assegurada por Fernando Martins, Chefe da Unidade de Controlo e Prevenção, com a apresentação “Resilience of Fuel Supply Infrastructures and Cross-Sector Crisis Preparedness”, na qual foi destacado o papel do Centro de Coordenação Operacional de Energia (CCOE) enquanto estrutura essencial para acompanhar, articular e operacionalizar a resposta do setor energético em situações de crise.
A apresentação centrou-se na experiência portuguesa em matéria de reservas estratégicas, REPA – Rede Estratégica de Postos de Abastecimento, coordenação civil-militar e articulação entre entidades públicas, operadores, forças de segurança, proteção civil e Defesa.
Foram apresentados dois momentos recentes que testaram a capacidade nacional de resposta: a crise de abastecimento de combustíveis de 2019 e o apagão ibérico de abril de 2025. A partir destes casos, foi sublinhada uma mensagem central: a resiliência energética não depende apenas da existência de reservas, mas da capacidade de as mobilizar, transportar, priorizar e entregar aos utilizadores críticos em condições operacionais degradadas.
Neste contexto, a ENSE destacou a importância da REPA como instrumento operacional de priorização em situação de crise energética, bem como a necessidade de redes de emergência atualizadas, informação operacional em tempo real, logística de última milha e mecanismos de coordenação testados antes da ocorrência de uma crise.
A participação da ENSE neste fórum europeu reforça o contributo português para a discussão internacional sobre a proteção de infraestruturas críticas de energia, a segurança do abastecimento e a preparação conjunta entre os setores da energia, da defesa e da proteção civil. A mensagem-chave da intervenção foi de que “Em situação de crise, o combustível não é resiliente apenas porque existe. É resiliente quando chega ao utilizador certo, no momento certo, mesmo em condições adversas”.