A ENSE, enquanto entidade coordenadora do Grupo de Trabalho da Transição Energética (GTE) da RELOP, promoveu esta semana o primeiro workshop de 2026, subordinado ao tema “Resiliência dos Sistemas Energéticos”. A iniciativa reuniu mais de 50 especialistas nacionais e internacionais e reforça o papel da RELOP como plataforma estruturante de cooperação regulatória no espaço lusófono, evidenciando simultaneamente o compromisso da ENSE na coordenação técnica e estratégica dos trabalhos desenvolvidos no âmbito da transição energética.
Num contexto de crescente complexidade sistémica, marcado pelas alterações climáticas, pela digitalização das infraestruturas e pela eletrificação da economia, a resiliência energética assume-se como um pilar estratégico das políticas públicas. Enquanto entidade com competências de fiscalização e prevenção no setor energético, a ENSE tem vindo a consolidar uma visão que articula regulação, supervisão e coordenação operacional, contribuindo para o reforço da segurança de abastecimento e da confiança no sistema.
A sessão foi aberta por Fernando Martins, coordenador do GTE, que enquadrou o momento atual como particularmente exigente para os sistemas energéticos. Recordando eventos recentes que afetaram Portugal, incluindo o apagão ibérico e fenómenos meteorológicos extremos com impactos significativos na rede elétrica, destacou a necessidade de antecipar cenários de crise e de implementar medidas estruturais que reforcem a robustez das infraestruturas críticas, mitigando vulnerabilidades e assegurando capacidade de resposta coordenada.
Seguidamente, interveio Renata Scotti, co-coordenadora do Grupo de Trabalho, em representação da ANEEL, sublinhando a relevância estratégica da resiliência energética no contexto regulatório. A sua intervenção reforçou a importância da cooperação internacional entre entidades reguladoras e fiscalizadoras, valorizando o papel da RELOP como espaço de partilha de experiências, harmonização de práticas e fortalecimento institucional.
Miguel Alves, da Direção de Infraestruturas de Rede da ERSE, abordou a resiliência numa perspetiva sistémica, evidenciando que esta ultrapassa o conceito tradicional de fiabilidade, exigindo capacidade de antecipação, adaptação e recuperação perante eventos extremos. Destacou as metas do Plano Nacional Energia e Clima 2030, o reforço das energias renováveis e a crescente eletrificação da economia, salientando o papel crítico do armazenamento, designadamente através da bombagem hídrica e de sistemas de baterias, na estabilidade do sistema elétrico. Referiu ainda os desafios associados à infraestrutura das redes, maioritariamente aéreas, o equilíbrio entre enterrar esta infraestruturas e custos de investimento, bem como a importância da digitalização e das redes inteligentes para aumentar a flexibilidade e reduzir vulnerabilidades estruturais.
Alex Almeida Pignatti, Gerente de Operações do Grupo CPFL Energia, do Brasil, apresentou a recente revisão regulatória adotada naquele país na sequência de eventos climáticos extremos. Destacou a obrigatoriedade de planos de contingência, mecanismos de compensação aos consumidores e o reforço das regras de comunicação e mitigação de impactos, incluindo a gestão preventiva de vegetação. A partilha da experiência brasileira, nomeadamente na resposta às inundações históricas no Estado do Rio Grande do Sul, evidenciou a importância de investimentos estruturantes na automatização e digitalização das redes, na monitorização meteorológica e na coordenação institucional. A dimensão internacional do debate confirmou o valor acrescentado da RELOP enquanto fórum de cooperação regulatória e aprendizagem mútua.
A encerrar a sessão, Tiago Silva, Coordenador do Centro de Coordenação Operacional de Energia (CCOE) da ENSE, apresentou o enquadramento legal e operacional da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA), instrumento essencial para garantir o fornecimento de combustíveis aos serviços essenciais em contextos de crise. Sublinhou o papel da ENSE na ativação, coordenação e monitorização da rede, recordando as ativações de 2019, durante a greve dos motoristas de matérias perigosas, e mais recentemente no âmbito do apagão ibérico. Destacou ainda os desafios futuros, nomeadamente a atualização do enquadramento legal, a integração de geradores de emergência nos postos estratégicos e o reforço dos mecanismos de reporte e fiscalização, consolidando a função da ENSE enquanto entidade central na gestão preventiva e operacional de situações críticas.
O workshop demonstrou que a resiliência energética constitui hoje um imperativo estratégico que exige articulação permanente entre reguladores, operadores, entidades fiscalizadoras e decisores públicos. Através do GTE, a RELOP afirma-se como uma rede ativa de cooperação técnica e regulatória, promovendo a convergência de práticas e o fortalecimento institucional dos seus membros.
Este foi o primeiro workshop de 2026 do GTE, estando previstas novas sessões nos próximos meses, reforçando o compromisso da ENSE e da RELOP na promoção de sistemas energéticos mais robustos, coordenados e preparados para enfrentar os desafios da transição energética.